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WALL #3 (desinstalação) : Step-by-step documentation

WALL #3 (desinstalação) é um mural composto por postais, inspirado em padrões da Casa da Avenida, em Setúbal Cada postal esconde no verso uma marca do momento da sua instalação — uma coordenada, uma hora e uma indicação de autoria.

Mais do que a composição resultante da justaposição dos postais, realizada pelo artista no acto da sua instalação, trata-se de uma obra aberta à intervenção dos visitantes. É a desinstalação que transforma a imagem observável em WALL #3 : ao escolher um postal e retirá-lo da parede, o público completa a obra iniciada pelo artista abrindo espaço ao vazio. Assim, cada visitante atua sobre a instalação que encontra e participa na construção de uma nova imagem.

Sendo esta obra movida por uma engrenagem de funcionamento visível, o investimento do artista na sua produção foi repartido pelos 505 postais. Ao escolher e levar um postal, o visitante é convidado a deixar o valor correspondente ao seu custo, participando no equilíbrio económico da obra e no lento regresso da instalação à sua imagem anterior à intervenção.


Rui Aleixo nasceu em Lisboa, em 1976. Começou por estudar Arquitetura, antes de se dedicar às artes visuais. No Ar.Co concluiu o curso básico de Pintura, o curso avançado de Artes Plásticas e o Projeto Individual em Escultura. É também músico profissional e mediador cultural, práticas que atravessam e expandem o seu trabalho artístico.

Desde 2008 desenvolve uma obra sustentada na atenção ao gesto, ao espaço e à matéria, apresentada regularmente em exposições individuais e coletivas. Entre estas contam-se Albo, Ângulo Morto, Livros Desobedientes, Alfarrábio, Eikon, Plinto, CAL e WE, em várias galerias e instituições (Lisboa e Oeste). O seu trabalho integra coleções públicas e privadas, nomeadamente a Emerge, o Oitavos Hotel e a Fundação Portuguesa das Comunicações.








caderno do projecto






postais











Encomenda: Homenagem | Commission: Tribute

 




76 azulejos, vaso com cipreste
Estoril, 2025

Mercado p'la Arte: fevereiro 2024

 



Para o Mercado trouxe a série Rasa de 2022, 2 dípticos de 2018 (que instalei bem próximos um do outro) e LAC #1 (uma pintura de 2015, que na exposição CAL tinha sido apresentada como parte de um trio). Na mesa alguns trabalhos das séries Alfarrabista, Nanquim e Angular.

Abaixo estão as obras ainda disponíveis de cada série:
Série Rasa
Série Angular
Série Alfarrabista: IV, III, II
Série Nanquim

Diamond & Brotéria, 2018

Diamond: instalação, 2018 | Cadeira Diamond, de Harry Bertoia, utilizada pelo padre Manuel Antunes
Diamond: installation, 2018 | Diamond Chair, by Harry Bertoia, used by Father Manuel Antunes

Brotéria: instalação | revistas Brotéria, velatura e verniz sobre contraplacado; dimensões variáveis (altura 111 cm); novembro 2018

Brotéria: installation | Brotéria magazines, velatura and varnish on plywood; variable dimensions (height 111 cm); November 2018

Instalação na Igreja de São Roque, Lisboa. 
Encomenda pelo 100º aniversário do Padre Manuel Antunes

dos porquês desta encomenda
Para além de professor na Faculdade de Letras, o jesuíta Manuel Antunes foi também director da revista de cultura Brotéria. Com um olhar atento e de pensamento fino, Manuel Antunes multiplicou-se em artigos sobre literatura, política, pedagogia, estudos clássicos, mostrando neles abertura, capacidade de diálogo e espírito crítico. Os seus textos foram, por isso, lugares de encontro com a cultura.
Ao convidar um artista plástico contemporâneo, a Brotéria quis cumprir essa missão de abertura e de diálogo, ao mesmo tempo que celebra o centésimo aniversário de nascimento deste jesuíta.

sobre a realização das peças
Ao visitar os espaços da Brotéria, o artista plástico Rui Aleixo foi inspirado, inicialmente, pela cadeira de Manuel Antunes, que figura em certas fotografias emblemáticas do jesuíta. De imediato, a antecipação do contraste entre o ambiente barroco de S. Roque, com os seus dourados, e o design contemporâneo daquela cadeira de arame sugeriu-lhe, por si só, uma forma de diálogo cultural.
A peça Brotéria nasceu do próprio desafio lançado pelos jesuítas de usar como matéria escultórica as revistas Brotéria, ao jeito de evocação simbólica do legado de Manuel Antunes. 
Foram vários os elementos que contribuíram para a composição desta peça. Desde logo, as cores vivas das lombadas das revistas. Em seguida, a ideia de estante - também ela contrastando com o ambiente fulgurante da igreja -, que logo evoluiu para a noção de prisma (7 prismas, cada um com 7 blocos de revistas sobrepostas, alternando as cores das lombadas com o branco do papel). Finalmente, essa forma desaguou na ideia de torre: seja a bíblica Babel, ou as antigas torres-biblioteca, ou a própria intuição de uma ponte ligando terra e céu - esforço que, de algum modo, atravessa a arte e a cultura.
Estas torres-prismas jogam também com o próprio espaço, ao jeito de balaustradas, embora atravessadas de fragilidade, que a madeira fina envolve quase como se fora uma pele.

notas para uma leitura
Instalada no interior da igreja de S. Roque, a cadeira gera uma presença-ausência cheia de significado. Por outro lado, uma escultura construída com esta matéria prima, a revista, lembra o diálogo tão caro ao padre Manuel Antunes entre culto e cultura, e celebra a própria missão da Brotéria. Finalmente, a introdução de uma peça contemporânea num espaço barroco aponta para um trabalho sempre inacabado de reflexão sobre a interacção entre tradição (religiosa e/ou artística)  e actualidade.

Rui Fernandes